
O que é o Macramé?
O Macramé é uma técnica de tecelagem totalmente manual, onde são utilizados diferentes tipos de nós, para criar padrões geométricos, franjas e uma infinidade de formas e peças decorativas/funcionais, sem recorrer a ferramentas ou maquinaria.
A história dos nós é tão antiga quanto a nossa própria história. Começou no período neolítico e surgiu da necessidade dos povos pré históricos se vestirem, construírem abrigos, preservarem e protegerem o seu alimento.
Outro exemplo é o "Quipu"
Encontrado em diversos sítios arqueológicos dos Andes, associado ao Império Inca. O "Quipu" era utilizado como um instrumento de comunicação, para estimular a memória e como registo contável entre os Incas.
Era composto por cordas com nós e cores diferentes, onde a posição e o tipo de nó representavam uma mensagem distinta, ou informação numérica e organizacional.
As técnicas de tecelagem e fiação começaram a desenvolver-se no período Neolítico há cerca de 10.000 anos, quando as comunidades passaram a trabalhar fibras naturais de forma mais estruturada para produzir fio e tecido.
Foi nesse período que surgiram métodos mais consistentes de fiação e os primeiros teares rudimentares, permitindo a produção de tecidos mais complexos para vestuário e uso diário.
De onde vem a palavra "Macramé"?
Vem da palavra "Migramah", um termo turco e árabe que significa “franja” ou “borda decorativa”.
Artesãos árabes usavam esta técnica para adornar tecidos com nós, criando peças utilitárias e decorativas.
As rotas comerciais
Durante a Idade Média, o migramah (macramé) espalhou-se pela Europa, através das rotas comerciais e da presença dos mouros na Península Ibérica. Com as cruzadas, ficou conhecido noutros países, em especial Itália e França.
O seu nome teve algumas variações.
Em Portugal, especialmente nas regiões do Norte e Minho, o macramé era chamado de “bróia” ou “abrolho”. Também conhecido também como a “rendinha dos nós”.
No séc. XVI, tornou-se uma especialidade em Génova, com o nome “Punto a Groppo” que em italiano significa “laço atado”.
Há diversos registos em museus deste período.
É considerada uma das antecessoras das Rendas de Bilros, caracterizando-se por franjas ornamentais feitas com nós em cordões de linho ou algodão muito finos.
Originalmente era utilizada para decorar golas, punhos e bordas vestuário nobre.
O Macramé chegou ao Brasil pelos colonizadores portugueses.
Sabe-se que, provavelmente, foi por meio de senhoras que teciam os seus enxovais para os casamentos.
Na Inglaterra, durante o período georgiano, a realeza tinha muito interesse nas tramas, como a Rainha Maria, que ensinava às damas da corte a técnica.
Também a rainha Charlotte, decorou o seu castelo com diversas tapeçarias em Macramé.
Mas foi na Era Vitoriana que o Macramé explodiu, como tendência no Reino Unido.
Mais uma vez o macramé saiu um pouco de moda, voltando a ter destaque à uns anos atrás.
Hoje em dia exploram-se novos materiais e formas de criação, a arte do macramé está cada vez mais criativa e contemporânea, desde peças de decoração, a acessórios, vestuário, mobiliário, jóias e uma infinidade de opções.

Falar sobre a origem dos nós é falar da origem da sociedade.
Esta história está inteiramente relacionada à historia das mulheres, que ao longo dos séculos, tiveram a sua existência restrita a ambientes privados.
Então, além de aprender e ensinar a técnica através das gerações, estas mulheres teceram também relações de troca e escuta.


























